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Interstício: ciência acaba de descobrir o ‘novo órgão’

Interstício: ciência acaba de descobrir o ‘novo órgão’

Um estudo publicado esta quarta-feira dá conta da descoberta de um novo órgão do corpo humano – interstício – que permite amortecer choques em órgãos vitais e também compreender melhor a forma como o cancro se espalha pelo corpo.

Cientistas das universidades de Pensilvânia e de Nova York acreditam ter descoberto aquele que seria o maior órgão do corpo humano. Batizado como “interstício”, ele representa uma rede de tecidos que atua nos espaços de conexão de órgãos do corpo, como o sistema urinário e os pulmões. Na sua estrutura, dividida por uma série de canais com passagens de fluidos e interligada por redes de colágeno e elastina.

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

Ele sempre esteve ali, mas foi apenas por meio de uma tecnologia mais avançada que os cientistas finalmente puderam identificá-lo: um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo – por isso, chamado de intersticial (entre tecidos). Um grupo de especialistas o classifica como um novo órgão do corpo humano, “uma nova expansão e especificação do conceito de interstício humano”.

Como não havia sido descoberto até agora?

Agora, os cientistas puderam identificar esse novo “órgão” graças aos avanços tecnológicos da endomicroscopia ao vivo, que mostra em tempo real a histologia e estrutura dos tecidos. Paradoxalmente, apesar de ter sido descoberto apenas agora, o interstício pode ser nada menos do que um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Os cientistas afirmam que essa rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido, reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.

Os pesquisadores acreditam que esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

Interstício ciência acaba de descobrir o novo órgão

Interstício ciência acaba de descobrir o novo órgão

Contudo, descobriu-se ainda uma outra função. Ao atuar como uma espécie de caminho para que os fluidos percorram todo o corpo, o interstício pode também permitir que o cancro se espalhe e que as células cancerígenas de tumores possam entrar no sistema linfático.

Desta forma, vai ser possível criar novos testes de cancro e também existirem avanços no estudo “das metástases de cancro, bem como do edema, da fibrose e dos mecanismos de funcionamento de tecidos e órgãos”.

Para que o interstício tenha oficialmente o estatuto de órgão, é necessário criar consenso científico e, por isso, ser confirmado por outros grupos, tal como aconteceu há cerca de um ano com a descoberta do mesentério.

Qual é sua função?

Até agora a ciência não estudou profundamente nem o fluxo nem o volume do fluído intersticial do corpo humano. Por enquanto, a identificação desse “espaço intersticial” levanta várias hipóteses.

Os especialistas acreditam que essa rede de espaços interconectados, forte e elástica, pode atuar como um amortecedor para evitar que os tecidos do corpo se rasguem com o funcionamento diário – que faz com que os órgãos, músculos e vasos sanguíneos se contraiam e se expandam constantemente.

Além disso, acreditam que essa rede de cavidades é como uma pista expressa para os fluídos. Isso poderia embasar a hipótese de que o câncer, ao atingir o espaço intersticial, possa se expandir pelo corpo muito rapidamente. É a chamada metástase.

Por outro lado, os autores do estudo acreditam que as células que formam o interstício mudam com a idade, podendo contribuir com o enrugamento da pele e com o endurecimento das extremidades, assim como a progressão de doenças fibróticas, escleróides e inflamatórias.

fonte: G1-bem estar

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